Será que o amor é, realmente, apenas uma loteria? • We Love

Será que o amor é, realmente, apenas uma loteria?

Joguinhos de azar (e de amor)

Todos nós conhecemos alguém que tem “azar no amor”. É um tal de se apaixonar por pessoas indisponíveis – geográfica ou emocionalmente – ou de gostar de quem não sente nada por elas e, até, de criar conexões com as pessoas mais improváveis – desequilibrados, egoístas, comprometidos, etc.

Não vemos essas pessoas como azaradas no primeiro momento. Acreditamos que elas façam escolhas “erradas”, como se existisse a possibilidade de querer quando se pensa em amor. As pessoas fazem o que podem no amor, não o que querem.

Temos amigos que vivem apaixonados – por uma pessoa diferente a cada semana. Outros que falam como ficam com o coração partido regularmente. O primeiro grupo sempre diz: “Estar apaixonado é ótimo”. O segundo pergunta: “Será que o coração para de se partir em algum momento?”.

Será que o amor é, realmente, apenas uma loteria?

A grande maioria das pessoas tem dentro de si algo que convida ao desastre amoroso, que atrai o desastre, que fabrica o desastre, se for necessário. O contrário disso é gente com sorte. Sendo que não estamos falando da sorte de encontrar “a pessoa da sua vida”, mas uma sorte mais real e modesta, a sorte de encontrar alguém interessante, de tropeçar naquele papo que rende e que desperta um algo mais.

Não é possível escolher por quem iremos nos apaixonar. Mas é possível reconhecermos se somos do grupo que busca e provoca o desastre, ou do grupo que tem um pouco de sorte. A partir do momento que reconhecemos o problema e a repetição, mas ficamos inertes, fazemos uma escolha e temos que aceitar a responsabilidade.

A gente se apaixona pra corrigir o nosso passado. Relacionamentos sempre nos ensinam algo. Seja a sermos pessoas mais pacientes ou identificarmos o que não queremos. Quando nos apaixonamos, queremos que as coisas boas dos antigos relacionamentos permaneçam e, em teoria, que as “não tão boas” não se repitam. Porque o amor sempre dá certo, as pessoas que se desencontram em algum momento da travessia.

Ao ter a sorte de encontrar alguém interessante, precisamos estar dispostos. A gente não irá se apaixonar pela primeira pessoa a cruzar o nosso caminho, mas precisamos estar dispostos à possibilidade e encarar todo o processo. É preciso disposição e coragem para se jogar. Mesmo que você seja da turma que acaba indo para o “desastre”, não vale a pena ficar na superfície. Um mergulho te leva ao fundo e algumas pessoas merecem ser vistas com profundidade. Até para se conseguir evitar a repetição.

Tentamos esconder o passado, as dores, como uma desculpa para nos mostrarmos fortes, seguros e resolvidos. Não precisamos abrir toda a nossa bagagem no primeiro encontro. Afinal, primeiros encontros não deveriam ser para falar do passado. Isso é assunto pra os segundos encontros. Porém não devemos ter “preguiça” de conhecer e ser conhecido pelo outro. Algumas pessoas merecerão que você faça a pose do Tio Patinhas e pule. Porque mesmo que acabe não sendo a “pessoa da sua vida”, a experiência te levará a sentir e conhecer coisas novas. Coisas que, até então, você não conhecia em você mesmo.

Não devemos ter medo de nos magoar ou ter o “coração partido”. Por conforto, ficamos em relações rasas e nos esquecemos de como um mergulho profundo – mesmo que em águas desconhecidas – nos excitam e fortalecem. Se racionalizarmos todos os sentimentos e relações, ficaremos boiando conforme a maresia. Às vezes, precisamos tirar um tempo na calmaria. Entretanto, a sensação de furacão – vulgo “borboletas no estômago” – sempre valerá o risco do pulo.

Feche os olhos.
Respire. Sorria. Pule!

O desconhecido sempre irá surpreender – na “pior” hipótese, ensinará algo que você ainda não sabia sobre si.

Bruna Guimarães

Bruna Guimarães

Jornalista & fashion lover. Made in Aracaju, living in São Paulo. Acredita que o amor é sempre destino e glitter, uma segunda pele. Louca por carnaval e mar e sorrisos e pessoas interessantes.
Bruna Guimarães

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