Seu futuro é uma folha uma em branco, mas não rasure, por favor! • We Love

Seu futuro é uma folha uma em branco, mas não rasure, por favor!

Seu futuro é uma folha uma em branco, mas não rasure, por favor.

Eles dizem para gente que o nosso futuro é uma folha em branco. Dizem que podemos pintar o que quisermos para nós mesmos. E que não há limite para o que podemos criar.

Dizem, mas nos entregam uma folha de almaço carregada de linhas por toda sua extensão. E ai de você se escrever uma perninha de letra pra fora delas.

Nos mandam seguir um roteiro monocromático, dos mais sem graça, como uma daquelas páginas de ligue os pontos que você já sabe a figura antes mesmo de começar a traçar. E nem ouse mudar a ordem dos pontos, ou o desenho não será aquele que te incumbiram de completar.

Se é para você se soltar e trazer todas as suas ideias, melhor que seja em apenas uma folha. Sem verso. E não esqueça do título. E dos parágrafos de fórmula matemática das redações de escola. Limitam-nos o tempo todo.

E mesmo que você siga todas as suas regras, todas as suas sanções e todas as suas correções, ainda vão te julgar e dizer que isso não é arte, que deveria ter feito diferente, que talvez você não tenha escolhido as cores ou linhas certas e por isso não chegou lá. Sua vida não é uma obra-prima. Não para eles.

São tantos críticos e entendidos que, às vezes, nos dá vontade de rasgar o papel. Amassar, fazer uma bolinha e jogar longe, como se esse rascunho que criamos sob tanta vigilância nunca tivesse existido. Mas quer saber? Esse é o meu papel, surrado, amassado e cheio de marcas de borracha. Mas é o meu papel e ninguém vai me dizer o que fazer com ele.

Danem-se as lapiseiras 0.7 e as canetas Bic. Vou pegar um pincel qualquer e sair rasurando tudo que me foi desenhado ali, sem minha permissão. Vou reinventar os pontos e ligá-los nas cores que eu quiser, mesmo que faça sentido só para mim. E sem medo de apagar quando for necessário, rabiscar o que precisar ser reescrito e deixar o desfecho de tudo isso se criar sozinho. E quando for julgado por isso, quando todos os corretivos apontarem para mim, vou me lembrar: eles seguiram as suas linhas retas. Já eu, eu estou criando minhas próprias curvas.

Henrique Arana

Tem 27 anos, de São Paulo, mas pode chamá-lo de Rico.
Estudou publicidade e jornalismo, hoje trabalha em agência de propaganda em Curitiba.
Seu sonho é parar de escrever sobre produtos quaisquer e poder escrever de sentimentos, dele e de outros.

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