Sobre tecnologia e natureza – We Love

Sobre tecnologia e natureza

Criança usando um ipad

Hoje eu vi um vídeo sobre a evolução do Google. No começo apenas com um algoritmo para indexar sites na web, eles acabaram virando a maior empresa de tecnologia do planeta. Depois da busca vieram os mapas, os vídeos, os celulares, os óculos. E agora, são eles que estão liderando a “revolução” da internet das coisas – e mudando profundamente a forma que vivemos.

E essa história toda aconteceu apenas nos últimos 17 anos. E nós nos lembramos. Tudo mudou desde então e por que somos velhos agora há um número sem fim de humanos mais novos e mais adaptados que nós para lidar com a rapidez dos avanços tecnológicos. Mas, apesar disso, esses novos humanos tem uma relação totalmente diferente com a tecnologia. Para eles, a tecnologia parece algo entendido como parte da natureza.

É fascinante como as crianças conseguem lidar com a explosão de novas interfaces e ideias sem dificuldade. Ao mesmo tempo é um pouco curioso o fato de que elas não são capazes nem mesmo reconhecer um ícone de disquete para salvar os arquivos. A maioria deles nasceu em um mundo em que um mapa impresso é algo perto de inconcebível. 

Mas, uma vez que a tecnologia é natural para eles, eles nunca forçam a barra. Na verdade, muitas vezes, eles nem mesmo compreendem o tamanho poder que tem nas mãos. Eu venho observando essas “crianças” há algum tempo. Para o meu trabalho, eu entrevistei muitos deles e até mesmo tenho alguns trabalhando comigo, começando suas vidas profissionais. E apesar de suas diferentes personalidades, eles sempre me parecem muito desinteressados.

O comportamento de indiferença deles é sempre algo surpreendente para mim, uma vez que quando eu tinha a mesma idade eu costumava ser uma early-adopter-crazy-nerd. E é por isso que eu sempre me pego pensando sobre a questão. Na minha opinião, esse comportamento se deve exatamente ao falto de verem a tecnologia como parte do mundo – ou seja, onde eu vejo possibilidades eles enxergam um determinismo.

Para eles, ter acesso à internet é algo tão trivial quanto o oxigênio. E talvez seja essa é a razão que faz a tecnologia algo tão simples e natural para eles. Porém, é também o que os faz menos propensos a desafiar seus limites. É exatamente como o ar: nós não pensamos sobre respirar e é improvável que você comece a respirar de uma forma diferente (na verdade, se você já fez alguma aula de yoga sabe o qual difícil é tentar fazer isso!).

Mas então, se eles não desafiam, não forçam a barra como nós fizemos, como podemos imaginar a evolução da tecnologia no futuro? Como as coisas serão quando todi o desenvolvimento tecnológico depender dessas genialmente adaptadas – mas preguiçosas – mentes?

Eu, que não costumo ser aquela que vê o copo metade vazio, tento ver o lado bom. Talvez, encabeçados por eles a gente possa tirar o pé um pouco. Um freio.  Quem sabe, é hora de nossa evolução tecnológica parar (ou pelo menos, desacelerar). E se isso acontecer, quem pode dizer se o nosso futuro não será melhor? Especialmente se não nos preocuparmos tanto sobre o que a tecnologia significa e nos preocuparmos mais com as pessoas.

Não me entenda mal. Eu amo o ritmo e o avanço – mas muitas vezes esses avanços nos fazem pagar preços altos demais – especialmente quando perdemos o propósito. Por isso, penso na nova geração com curiosidade, e imagino que eles podem ser fruto da nossa própria evolução. Talvez, o gene da indiferença carregue nossa única chance pro futuro: a habilidade de não ver a tecnologia como um fim mas como um meio para os potenciais humanos.

Isabela

Isabela

Escreve sobre futuro, história, curiosidade, gente e faça-você-mesmo. Vegetariana, de esquerda e feminista, mas incapaz de falar sobre esses assuntos de maneira arrazoada, por isso, não a provoque. Nasceu na roça, mora na cidade, guarda as duas metades e tem memórias de coisas que nunca viveu.
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