Solta o som: Years & Years • We Love

Solta o som: Years & Years

Solta o som: Years & Years | Crédito: Pixabay

Dizem que música tem pra todos os momentos…

E eu até concordo.

Veja bem, domingo de sol na praia: solta um Jack Johnson de leve.

Segunda chuvosa: eu vou de Wonderwall perguntar se ‘maybeeee’ eu saio daquela fossa com o Oasis.

Sexta à noite, um headbanger de Metallica cervejeiro. E no sábado animado, pela manhã, eu curto arrumar a casa, tomar café e sonhar em viajar pra Bogotá com Criolo.

A trilha vai mudando de acordo com cada um – e, por favor, eu adoraria saber qual seu cronograma semanal de música nos comentários. Só que, de vez em quando, aparece um ou outro artista feito pra todos os momentos. Dos mais animadinhos aos mais minguados. Dos mais ‘sábados à noite’ aos mais ‘quarta à tarde’.

Para mim, em 2015, eis que me apareceram uns meninos franzinos lá da terra do Harry Potter (sim, essa é minha referência juvenil. Podemos lidar com isso tranquilamente). Que a Inglaterra fabrica do bom e do melhor da música internacional, todo mundo já está careca de saber. Mas, talvez não seja do conhecimento de todos, que o país da Rainha Elizabeth e da princesa Charlotte não tem economizado talento em nenhum segmento musical, muito menos o que eles já dominam muito bem: o eletrônico.

Adicionando à experiência com os sintetizadores e com todas as vertentes eletrônicas possíveis (dubstep nos subways londrinos ou acid house da pesada), eles agora andam abusando da versatilidade dos tons de voz – desde o grunhido grotesco do punk ao timbre soft do blues – e misturado num caldeirão que obtém influências do r&b, rock, soul music, pop e house.

Dessa linda e maravilhosa mistura nasceu o Years & Years, aquele trio franzino de Londres que eu citei há uns dois parágrafos atrás. Os meninos já são conhecidos por muita gente há algum tempo, mas, recentemente deram uma guinada com um hit chamado ‘King’ que tem ultrapassado o topo dos charts do Reino Unido e chegou facilmente aos Estados Unidos. Eles, inclusive, fizeram um show (fechando os olhos de arrependimento amargo agora porque não fui) no início de 2015 em São Paulo, no MECA Festival, com duas outras bandas que, por sinal, seguem a mesma vibe de som, influência, e que surprise, surprise, também vêm da terra de Charlotte: Alunageorge e La Roux.

A fórmula do Y&Y, Aluna e La Roux tem obtido muito efeito. No meio dos Guettas e Avicis barulhentos, previsíveis e de refrões repetitivos, eles surgem como um respiro no universo eletrônico, especialmente para aquele público específico que sempre reclama na balada ‘ah, mas eu queria uma música pra cantar, sabe?’.

O bom gosto dos rapazes e das moças é surpreendente e o talento é visível para profissionais tão jovens. Eles formam mais uma camada na geração Y que faz os beats em casa, descobre o amigo que canta divinamente no chuveiro (sério! Essa é a história do Olly Alexander, cantor do Years), manda gravar a demo e já era. Talvez, seu público realmente fique no lado B, mas isso pouco parece importar para os que consomem ou para os novos artistas que parecem estar tendo o melhor de suas vidas, enquanto curtem suas primeiras viagens internacionais com tudo pago.

Para finalizar, gostaria de deixar perguntas muito imparciais e objetivas para que você, leitor, possa absorver o que sinto neste momento por Years & Years e talvez possa usufruir do mesmo sentimento que eu em breve:

As letras são permeadas de dramas românticos na pista de dança. Como não amar?

As batidas são extremamente dançantes e herdam os timbres marcantes da house music. Como não amar?

Os synths são suaves e retrôs, relembrando um pouco da vibe Bowie, Blondie, anos 80. Como não amar?

Não tem como. Desista. Se joga e ouça em qualquer dia. A qualquer hora.

Maluh Bastos

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
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