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Provavelmente é a milésima vez que meus sonhos viram seu território.

Você caminha por eles com calma, assim como os episódios de exorcismo e as conversas sem sentido com minha avó falecida. Você se faz presente e estabelece seu lar na rua da frente. Primeira casa à esquerda – lado do coração.

Não pretendo falar em sinais, apenas na codificação da nossa língua. Aquela que nós dois dividimos por tanto tempo e depois foi-se amargando.

Quero que você saiba que eu estou pronta para ir num pulsar do coração.

Não houve cerimônia de desligamento. Você apenas saiu do plano físico e partiu para o plano imaginário, assumindo uma nova pele e uma nova personalidade. Quase como um rei da selva no meio das confusões místicas que envolvem signos, luas, devaneio e cores púrpura.

Pior que ela nem sabe. Será que você fará parte da pós-vida e das realidades alternativas dela também? Espero, sinceramente, que sim.

Aliás, espero que você tome a configuração fantasiosa que eu assumi, bovinamente, perante suas lembranças. Tornei-me parte hipossuficiente de todo um ciclo que parece não ter fim.

Estamos ligados quer eu queira ou não.

Mas consigo respirar, finalmente, depois de toda a caminhada. Só gostaria de expulsá-lo das propriedades dos meus sonhos, pois você não tem sido um bom vizinho. É mau humorado com os transeuntes e faz barulho quando e como quer.

Pior!

Quer mandar onde não tem autoridade nenhuma. Quem escreveu a Carta Magna deste território, aliás?

Eu. E a mestre se torna escrava e fornece mais motivos para melodias de macacos árticos fazerem sentido.
Eu estou bem com tudo isso. De verdade. Até porque aquele que se estabelece pomposamente nos meus passeios noturnos é alguém que nunca tive a oportunidade de conhecer. Não é real. Não corresponde ao que vivi.

É apenas uma representação do que desejo com a sua face costurada por cima. Já assumi isso. Só espero que eu soe verdadeira porque não quero ser julgada como culpada no tribunal dos inúteis mais uma vez.

Aliás, morte aos inúteis.

Maluh Bastos

Pernambucana, DJ em andamento, jornalista e aspirante em advocacia. De pouco a pouco, é alguém que acredita na liberdade de escolha e na igualdade social. Fã de harry potter e no âmbito da música aconselha sempre que siga seu coração e, nunca, NUNCA apenas o que todo mundo ouve.
Maluh Bastos

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