Três dicas para não pirar quando parar de usar a pílula • We Love

Três dicas para não pirar quando parar de usar a pílula

Três dicas para não pirar quando parar a pílula (ou injeção ou adesivo ou anel)

Tudo bem, você quer parar de tomar pílula e tem um monte de receios, né? Faz anos que tomava, não sabe como vai ser sem, tem medo de engravidar… É, é bem comum todos estes receios, mas tentar dar uma chance pro seu corpo também pode ser bem legal. Então, antes de qualquer coisa, um pequeno guia para não pirar na hora que não tiver mais hormônio sintético na sua vida:

1) Conheça suas opções

Sério. Eu sei que há o medo de trombose, que a libido tá ruim, que a enxaqueca tá difícil. Mas não pare seu método hormonal sem ter uma alternativa de contracepção firmada. Pode ser a boa e velha camisinha que, se bem usada, vai ser eficaz sim, e ainda vai te proteger de DSTs, então é uma ótima aposta. Mas vale pegar um fim de semana para dar uma boa pesquisada nisso. Tem bastante opção não-hormonal, sabia? Você pode usar DIU de cobre, diafragma ou capuz cervical, camisinha masculina ou feminina, ou métodos de percepção da fertilidade, como o sintotermal. Atenção: métodos de percepção da fertilidade não são tabelinha nem aplicativo, ok? Dá pra fazer um textão todo sobre as opções não-hormonais, até porque, a princípio, todas estão disponíveis no SUS para todas as mulheres, com ou sem filhos, solteiras, enroladas, namorando ou casadas, independente da idade. Quando pesquisar, pensa bem no que o método te exige, se é prático ou mais fácil, se isso casa com sua rotina e estilo de vida. Por exemplo, nem todas teriam a disciplina ou tempo de dormir bem para medir a temperatura basal logo que acorda todo dia e analisar muco cervical todo dia para fazer um sintotermal, daí complica, né? Mas também nem todas estão aptas a usar o DIU de cobre porque tem alguma má formação uterina, por exemplo. A escolha do método é pessoal e, das opções não-hormonais, todas podem ser conseguidas pelo SUS, então é pesquisar, ver os prós e contras, ver se você estaria disposta a lidar com os possíveis efeitos colaterais ou requisitos de cada método no seu dia a dia.

2) Entenda seu corpo

Sabe a percepção da fertilidade que foi comentada ali? Então, não precisa usar isso como método contraceptivo, mas é bacana ao menos ler sobre, fingir que está na aula de biologia da escola e ler tudo que puder sobre ciclo menstrual, menstruação, muco cervical, tudo. Os métodos hormonais “pausam” o ciclo menstrual para que a gente não ovule, assim impedindo a gravidez, daí aquele sangramento da pausa da cartela, apesar de parecer, nada tem a ver com menstruação, sabia? Isso porque menstruação é o sangramento que acontece APÓS ovulação que não resultou em gravidez, e o sangramento da pausa de cartela de pílula, adesivo, anel, é um sangramento de privação hormonal. Você pausa o método hormonal, o endométrio descama porque não tem mais nada segurando ele lá. E tão não tem a ver com menstruação que se você junta uma cartela na outra, usando de exemplo a pílula, você nem sangra. Por isso há essa impressão que pílula e afins “regulam” o ciclo menstrual, porque esses métodos tem uma pausa determinada que dá o tempo de acontecer esse sangramento. Mas se eles pausaram o seu ciclo de verdade, já dá pra imaginar que é só uma “fantasia” de ciclo hiper regular, né? Pois é… Falando nisso, os ciclos menstruais podem ter de 21 a 35 dias sem problemas, o famoso 28 dias é uma média disso. É aí que entra a percepção da fertilidade.

Pode parecer então que vai ser uma loucura, nunca dá pra saber quando se vai menstruar, socorro! E na verdade a gente tem como saber sim! Sabe qual grande erro? Tentar calcular o ciclo. O ciclo menstrual não é uma conta, ele é uma história – a gente tem que aprender a LER o ele. Ovular e menstruar é todo um passo a passo hormonal e metabólico do nosso organismo, se a gente aprende a ler os sinais do corpo dá pra descobrir quando se vai menstruar com no mínimo 10 dias de antecedência. Isso é bacana de entender pra não ficar pirando a cada 28 dias se dessa vez teu corpo na real precisa de uns 30 pra terminar o processo dele, por exemplo. Ou pra não achar que a menstruação “adiantou” porque ela veio com 24 dias de ciclo. Essas coisas. Se você quer entender melhor, dá uma lida sobre Sintotermal, é um dos métodos de percepção da fertilidade mais famosos, ele usa principalmente o muco cervical e a temperatura basal pra ler o ciclo, cada um destes aí tem uma função. O muco indica fertilidade, a temperatura, se você já ovulou.
Bem melhor entender o que tá acontecendo do que tentar fazer uma conta onde não se faz conta e bater o desespero à toa, né?

3) Paciência

Agora, tem outro ponto muito importante: se você usava contracepção hormonal, seu organismo estava com os ciclos menstruais pausados. Lembra a primeira vez que você menstruou? Provavelmente era bem difícil no começo, né? Então, ao parar um método hormonal é quase como se seu corpo estivesse zerado de novo, o coitado quando de repente não tem mais hormônio artificial pra muitas mulheres demora pro corpo entender que, opa!, tá liberado ovular! E se sem ovulação não tem menstruação e pode demorar pro seu corpo voltar ovular…. Bom, aí é receita pra levar uns meses pra algumas voltarem a menstruar mesmo. Temos que ter paciência. Parte do “dar uma chance ao nosso corpo”, que comentei lá no começo, envolve muito de paciência. Pra voltar a ovular regularmente, pro ciclo menstrual se estabilizar, e isso envolve todos perrengues hormonais, como espinhas e sangramentos confusos. Mas com tempo e cuidando do corpo, tudo deve melhorar. Afinal, o ciclo menstrual só reflete como vai nossa saúde, e também precisa de cuidado e tempo pra se reestabelecer bem. Se estiver faltando algum nutriente ou você estiver muito estressada ou dormindo mal, pra que é que vai ter ovulação? Ih, os ovários só trabalham em boas condições. Por isso que é bacana também aprender a ler o ciclo e ficar sem hormônio sintético: você tem, de brinde, um relatório de como vai sua saúde.

Sabendo das suas opções contraceptivas, como funciona o ciclo menstrual, e que precisa de tempo e carinho com o corpo para o ciclo rodar bem, ajuda bastante a não ficar paranóica com menstruação ou espinhas ou muco cervical ou o que vier. Se mesmo assim, método hormonal tiver que voltar pro jogo, não há vergonha nisso. O importante é dar uma chance para os nossos próprios corpos para serem os corpos cíclicos que são, não há nada de mal em viver de momentos. E a melhor coisa que a gente pode fazer pelo nosso corpo é dar uma chance para ele funcionar livre, leve, e com suas fases.

Se você quiser ler mais sobre tudo que foi dito, confere o site Sete Três, um compilado de informativos sobre métodos não-hormonais e seus direitos sexuais e reprodutivos. Lá você pode conferir os métodos contraceptivos oferecidos no SUS, ver um básicão sobre cada método não-hormonal, quais são seus direitos perante um atendimento médico, como funciona a lei do planejamento familiar e muito mais. Fica a dica e boa sorte nessa deliciosa aventura de se reconhecer cíclica! 

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