Um devaneio de calor – We Love

Um devaneio de calor

São Paulo, calor 30° às dez horas da manhã, não é fácil. A vontade é largar tudo e ir à praia – ops, mas São Paulo não tem praia! – respira e espera o ônibus para o trabalho.

– Por favor, não esteja lotado, não esteja lotado! – peço aos deuses mentalmente. Por sorte, hoje estava normal, consegui vir sentada.

Durante o caminho, fico olhando para o céu azul distante – tenho a sensação que o céu paulistano fica mais longe, acho que por causa dos arranha-céus. Será? Inevitavelmente, lembro-me de Aracaju, do calor com vento fresco, da imensidão de azul vista junto ao rio Sergipe, que corta a cidade, ou ao mar da Aruanda e as areais imensas. Ah, nos dias de calor, a saudade de casa aperta o peito.

25 minutos depois, sou despertada do meu devaneio saudosista, porque meu ponto chegou. Em 5 minutos de caminhada, já estou desejando tirar a roupa, porque em São Paulo não venta – parece até que a cidade entrou numa briga sem fim com Éolo (deus dos ventos da mitologia grega). É um lugar extremista: 8 ou 80, muito calor ou muito frio. Particularmente, gosto da São Paulo cinza, com leves pinceladas de azul e branco. É o céu ideal, para mim.

Chego ao trabalho e necessito de duas coisas: lavar as mãos e beber água. Depois disso, me sinto pronta para encarar o dia. Não faz muito sentido; mas acho que estabelecemos alguns rituais para organizar a nossa mente. Abro o meu e-mail pessoal.

Na caixa de entrada, vejo um e-mail marketing com a previsão do dia de uma marca de roupa. Gosto da ideia do e-mail, das sugestões de looks pela temperatura e região, me sinto impulsionada até a olhar a oferta do e-commerce e, quem sabe, comprar alguma coisa. Até que paro para ler a previsão de “Aracajú”. Isso, escrito com acento agudo na letra (u). Qualquer impacto positivo que tive ao receber se dissipou com aquele MALDITO acento agudo.

Meu primeiro impulso é querer enviar um e-mail ou postar no Facebook deles que o nome Aracaju não pode, em hipótese alguma, receber o acento gráfico, porque a palavra é uma oxítona terminada com a letra (u) precedida de uma consoante. Lembro-me das palavras da tia Débora, na 1ª série: “As oxítonas terminadas em (u) que recebem acento gráfico são as que terminam em hiato, ou seja, a letra (u) precedida de uma vogal”. Simples, certo?

A correria do mundo não deve servir de desculpa para falta de educação/atenção. Desejo, profundamente, que essa regra vire moda nacional. Só assim todos serão dignos de apreciar o glorioso céu de Aracaju.

Bruna Guimarães

Bruna Guimarães

Jornalista & fashion lover. Made in Aracaju, living in São Paulo. Acredita que o amor é sempre destino e glitter, uma segunda pele. Louca por carnaval e mar e sorrisos e pessoas interessantes.
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