Um estampido, um tiro certeiro, um corpo estendido no chão • We Love

Um estampido, um tiro certeiro, um corpo estendido no chão

Marielle Franco | Foto: Reprodução (Instagram)
Foto: Reprodução/Instagram

A violência tem dessas coisas. Faz a vida virar estatística. Faz famílias inteiras conviverem com a dor da perda. Faz a esperança se perder entre balas achadas. Faz o sonho ser interrompido.

Não importa a idade, não importa o lugar, não importa o quanto você tem, não importa quem você é. Em uma questão de segundo, você pode se tornar mais um número. Na velocidade de um disparo, você pode ser mais um verbo conjugado no passado.

A violência cresce. A violência assusta. A violência parece não ter fim. Perde-se o pai de família, a vereadora, o motorista, a ativista, a mulher, o PM. Perde-se a fé.

Choro. Tristeza. Angústia. Medo. Sair de casa, não é certeza de que você vai voltar. Trabalhar salvando vidas, não garante que você vai conseguir se salvar. Se você tem voz, uma hora ou outra, a impunidade pode te calar: a sangue frio, para não poder denunciar.

Marielles, Andersons, Augustos, Matheusas, Guilhermes… Histórias interrompidas por interesses políticos, assaltos frustrados, pela orientação sexual, por ser mulher ou em uma missão que acabou antes mesmo de começar. Um estampido, um tiro certeiro, um corpo estendido no chão.

É no Brasil. É em São Paulo, em Minas Gerais, na Bahia e no Rio de Janeiro: diante de tanta violência, o que não falta é motivo para chorar o ano inteiro.

Darlene Braga

Darlene Braga

Jornalista, mineira e pisciana. Consegue sorrir e chorar ao mesmo tempo e não esconde os sentimentos de ninguém. Fala sozinha, assiste desenhos animados, escreve crônicas e gosta de gente que ri com os olhos.
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