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Ela é de aquário

Ela é de aquário | Pexels

Comecemos com um exercício simples: defina “perigo”.
Ameaça?
Emergência?
Risco?
Qual a melhor definição? Escolha; você vai precisar dela.

“Homens são bobos, eternos meninos”, já dizia vovó, enquanto observava eu e ela – a mulher perigosa deste texto – brincarmos. Quando escolhíamos os poderes que teríamos no próximo jogo, eu a vencia quase sempre. E ela deixava, sempre deixou. Deixou-me ser o ladrão perspicaz que corria da polícia e o personagem principal de todas as histórias. Deixou-me.

Ela nem fazia ideia, àquela altura, que se tornaria uma mulher perigosa. E eu, um coitado, a primeira vítima. Sonegando-se ao falso secundarismo, entregou o mais belo apoio dos coadjuvantes. Aplaudiu, chorou junto, fez xixi de tanto rir, revoltou-se junto também… Mas quem se atrevera a olhar fundo contemplou um calor; algo estava para emergir. Calado ou sossegado não ficaria por muito tempo.

Ela é de aquário, meus caros. Criou um outro mundo só dela para resistir a esse mundo só nosso. Guardou seus pensamentos com cuidado; um dia voltaria acessá-los, pois precisava se lembrar de quem era. E construiu um lugar sem julgamentos, onde a única verdade seria a sua. E, ai, de quem se atrevesse a tocá-lo.

Embora a vontade de mergulhar nesse outro planeta e sumir fosse gigantesca, ela sabia que chegaria a hora de misturar as duas realidades. “Nada pode ser só seu por aqui”, aprendeu na aula de história. Teve que dividir.

E o que acontece quando você guarda algo por muito tempo? Às vezes, enferruja ou apodrece. Já outras, como uma garrafa de whisky, melhora. Na leveza de suas memórias de menina, buscou bom-humor. Nas dores do padecimento adolescente, palavras que nunca foram ditas. E nos primeiros anos de mulher, a “indecência” de ser evidentemente bela. Assim, renasceu. Encontrou-se..

Tentaram-lhe esconder – sujeito oculto indeterminado – que mulher uma hora desabrocha pro mundo. Grita seus desejos. Cansa de calar suas vontades. E goza; goza o delicioso prazer de ser mulher.

Um perigo para nós, meninos, que esquecemos de virar homens. Aliás, voltemos ao começo do texto. Como você define “perigo”?! Pense direito na sua resposta; você pode cruzar por aí com uma mulher perigosa. E eu te garanto: você não está preparado.

Adler Berbert

Adler Berbert

Editor do We Love. Jornalista, curte frases de efeito, acha que sabe jogar vôlei e está viciado em tirar fotos de anúncios nos postes da cidade. No colegial, foi expulso da banda marcial por não ter ritmo, mas ainda continua acreditando que tem potencial musical.
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