Por um mundo com mais atitudes e menos mimimi – We Love

Por um mundo com mais atitudes e menos mimimi

– Faz tempo que você não escreve nada né, Re? Cadê todo aquele seu lado romântico? Parece que se perdeu. E se você, que é a pessoa mais romântica que eu conheço, deixar de ser assim, então as coisas não farão mais sentido.

– Ah, eu acho realmente que é uma fase sabe, e você deve abraçá-la, assim como as boas! Tenho certeza que logo mais ela volta, mas se dê o tempo que precisar.

Um beijo grande para as duas pessoas que me mandaram essas frases. Pensando nelas e (por elas) que consegui escrever. Fizeram todo sentido.

É estranho – até pra mim – esse bloqueio, essa pausa, esse break forçado. Não foi algo que eu planejei ou quis. Ele simplesmente veio, apareceu e ficou. Não deixou que eu fizesse poemas, versos, romances, cartas de amor. Surgiu como uma onda de frio e fez uma camada tão grande que calor nenhum conseguia derreter. Não por enquanto.

Embora saiba alguns motivos e imagine os outros, resolvi tentar não entender. Se as palavras não querem aparecer, se não querem me deixar escrever, então que seja. Peguei uma mala, coloquei a coragem debaixo do bolso, guardei os sentimentos dentro de uma caixinha do lado esquerdo do peito e fui.

Fui lá. Fui viver.

Sabe aquela história de que se você mudar a forma de pensar então a vida também muda? Então, fui lá. Paguei para ver. E mudou.

Peguei um ônibus sem destino certo e sai pela estrada da vida. Passei por momentos sozinha, mas, na maioria deles, sempre tive boas companhias. Pelo caminho fui conhecendo novos rostos, novas amizades, novas paisagens, novos sabores, novos aromas, novos momentos, novas histórias. Fui lá.

De onde eu menos imaginava (e de pessoas que eu nem esperava) é que tive as melhores surpresas e hoje fazem parte do meu dia a dia. Que bom conhecer pessoas novas. Nos caminhos da vida, nas voltas que esse mundo dá, teve recaída, mas também teve coragem de seguir em frente.

Por falar em recaída, se está com saudade, vai lá e fala. Se quiser voltar, volte. Se quiser pedir perdão, peça. Se quiser só matar a saudade, então faça. Por um mundo com mais atitudes e menos mimimi. O tempo é breve e ele não nos espera. Podemos viver junto com ele ou contra ele. A escolha é toda sua.

Aproveita para sair com umas pessoas novas. Isso mesmo. Dá uma chance para aquele cara do trabalho, aquela menina da faculdade. Para o carinha do Tinder, do Happn ou para o seu vizinho. Mas dá uma chance. Se dê uma chance. Saia com aquele menino de 22 anos ou com a menina de 35, mas pega e vai. Faz um rolê com o roqueiro, o jornalista ou o dentista. Sai com aquela advogada, enfermeira ou estudante de administração, mas vai lá. E sai.

Faz uma viagem, vai para Capitólio ou São Thomé. Toma um banho de cachoeira, limpa esse espírito, lava essa alma. Experimenta alguma coisa diferente, fale algo que nunca falou. Converse com alguém pela primeira vez. Come um prato diferente. Toma aquela bebida nova. Faz uma tatuagem. Coloca um piercing. Pinta o cabelo. Mas vai lá e muda.

Se declara para alguém. Peça perdão. Dê um fora, leve um fora. Chore, sorria, supere. Vai em um show, dança sua música, ria alto, sonhe grande. Mude de chefe, de caminho ou de trabalho, mas mude. Se mexa, faça algo diferente. Saber que erramos e fizemos cagada é ainda melhor do que não fazer nada.

Peça nudes. Mande nudes – ou xingue quem pedir, mas faça alguma coisa. Beba uma cerveja, uma vodka, uma tequila, mas deixe de pensar por pelo menos um minuto. Saia da sua zona de conforto. Se arrisque!

Vai lá e manda aquela mensagem. Dê um telefonema, fale que está pronta para sair com ele. Engole o orgulho, mata a saudade, diz que só quer o bem. Abrace, beije, olhe nos olhos. Saia e não fale nada. Tem silêncio que diz muito.

Desça de rapel, de tirolesa. Pula de paraquedas. Sinta o coração batendo acelerado ou querendo pular pela garganta. O frio na barriga, a garganta seca, a mão suando. Mas faça alguma coisa. Mexa-se. Mova-se. Sinta-se!

Algumas pessoas vivem, outras deixam a vida passar. Como se tivéssemos outra chance, outra oportunidade. Mas será que temos? Eu acho que não.

Então vai lá e vive. Quebre a cara e chore. Levante e fique pronta para outra. Tem sido uma experiência incrível. Estou mais rica de espírito, sentimentos,  pessoas, momentos. Talvez, qualquer hora dessas, meu bloqueio acabe e eu consiga escrever de forma “romântica” de novo. Enquanto isso, eu vou lá viver. Qualquer coisa é melhor do que ficar parado. Não acham?

Regine Luise

Jornalista por formação, poeta por opção, escritora por inspiração. Conselheira amorosa de boteco, romântica de carteirinha assinada. Escreve para expressar o que pensa, sente e, principalmente, quem é.
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