Viajar com destino a vida – We Love

Viajar com destino a vida

Eu entendo bem que os anseios, desejos, gostos e cultura mudem de geração para geração e não critico atitudes. Mas toda onda deve ser questionada.

Uma das últimas é a de “ser apaixonado por viajar”. Se comparar com duas gerações atrás, a diferença para a atual vai ser muito gritante, principalmente no Brasil. A razão é muito clara, as passagens de avião – e até de ônibus! – eram caras, então apenas uma parcela da população tinha acesso a viajar e conhecer o mundo.

Além da melhora na economia, a tecnologia diminuiu os espaços, deu motivos para viajarmos conforme fomos apresentados por blogs e site, lugares maravilhosos e diferentes daqueles que a grande mídia mostrava, de forma seleta, muito seleta devo dizer.

Mas, para mim, o que mais mudou foi o senso de pertencimento. Com todas as mudanças, abrimos nossa visão de mundo e conhecemos outras culturas. Não ficou estranho ir para Índia e Japão, por exemplo, porque passamos a ter contato mais fácil com pessoas e entretenimento lá do outro lado do mundo.

Se você se sentisse um peixe fora d’água no país onde foi criado, agora é possível conhecer lugares que o acolham melhor.

Pensando na vontade de sair e nos milhares de textos que pipocam na internet me peguei quase criticando a geração “viciados em viajar”, porque me parece um exagero. Explico: viajar requer antes que você trabalhe. Trabalhar focado em um gasto, economicamente falando, para mim já afasta a pessoa do presente, pensar e planejar uma viagem tira mais ainda.

Você sonha com as férias e com aquela tão sonhada ida à Tailândia, deixar o mundo para traz e esquecer tudo. Tudo bem, precisamos desligar um pouco do nosso mundo corrido. Mas e se isso estiver mascarando justamente problemas presentes?

Viajar passa a ser um escape da vida e deixamos de apreciar o que temos mais perto; fugindo dos problemas e do presente. Descansar é bom, mas não podemos viver de 12 em 12 meses esperando uma folga da vida. Ela não para e trabalhar para fugir do trabalho pode ser uma das maiores armadilhas que estamos criando para nós mesmos.

Essa é apenas uma reflexão, não um sermão. Vejo amigos planejando viagens para 2022 com amigos que podem partir e amores que se perdem… Enquanto isso, não passam tempo com a família.

Desligar é bom, mas que tal viajar um pouco dentro de si, com quem está perto e onde se está?

David Moratório

David Moratório

Redator e analista de conteúdo, amante de livros, domingos em casa e series bobas. Filósofo de hamburgueria que acredita que a única salvação é o amor.
David Moratório

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