Um texto de despedida que não se permite ser fúnebre • We Love

Um texto de despedida que não se permite ser fúnebre

Taça de vidro estilhaçada

A vida é um pedaço de cristal guardada num frasquinho, mas que, uma hora ou outra, insiste em arrebentar e jogar tudo pelos ares. Foi o que sempre achei. E continuo achando ainda mais. Estamos aqui de passagem, já ouvi isso diversas vezes. E, mesmo quem não acredita em paraíso ou coisa parecida, já deve ter pensado o mesmo. Mas a gente nunca está preparado para perder alguém que a gente ama. Nunca.

A morte nos ronda desde nosso primeiro respiro de vida na Terra e a gente passa a vida correndo dela, mesmo sabendo que uma hora ou outra ela vai nos pegar. É fato. Deveríamos até estar preparados para quando isso acontecer, mas não estamos. Nem sequer estamos preparados para a partida do outro. Podemos passar muitas vezes pela mesma situação de perda (e iremos), mas nós nunca estaremos preparados.

A vida é um eterno bullying, meus caros, e a gente finge não se importar enquanto choramos dentro do banheiro no intervalo da aula. A vida é um grandalhão que te enche de cascudos quando você passa por ele só para saber até quando você aguenta.

Esses dias perdi uma tia muito querida. Muito mesmo. E, apesar de saber de seu sofrimento e que esse dia chegaria logo, eu não pude acreditar quando recebi a notícia. A casca grossa que a vida me deu não me permitiu desespero, mas a dor estava lá; ainda está.

Prestei minhas homenagens do meu jeito, sofri do meu jeito, chorei do meu jeito. Mas, acima de tudo, sorri. Sorri ao lembrar quantas vezes a fiz sorrir com alguma piada boba. Sorri ao lembrar todas as vezes que ela me chamou de filho e me amou como um.

Esse é um texto de despedida que não se permite ser fúnebre. Esse texto é pra você, minha tia. Esse texto não é pra falar de morte, é pra falar de lembranças. E você me deixou muitas. Seguirei com elas até o último dia.

Numa coisa, a menina compositora do hit chiclete e clichê tem razão: a vida é trem bala, parceiro.

Robson Santos

Robson Santos

Publicitário, poeta de boteco, odeia sushi, ama filmes de máfia, tem TOC's, vive por música e não sabe a razão de escrever em terceira pessoa. Descarrega suas emoções no letraslorotaseleriados.tumblr.com
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