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Você está feliz?

Você está feliz?

Em um dia desses, me vi diante de uma situação que me fez refletir sobre o que as pessoas entendem como “vida bem sucedida”. Sempre me dediquei aos estudos e busquei um futuro melhor. Passei em uma universidade pública, saí da minha cidade e ampliei os meus horizontes: morei em duas cidades maiores. Aprendi a conviver com a distância, me desenvolvi como pessoa e, quando vi que era a hora, resolvi voltar para a cidade em que eu nasci.

Uma cidade de menos de 30 mil habitantes, no interior de Minas Gerais, que me permite encontrar rostos conhecidos nas idas e nas vindas, que me dá a segurança e a tranquilidade que eu não encontrei nas outras cidades e está me permitindo, de pouco a pouco, realizar alguns sonhos. Quem me conhece verdadeiramente sabe o quanto essa mudança de vida me fez bem. Trabalho com o que eu gosto, tenho qualidade de vida e estou perto de todas as pessoas que são importantes para mim.

Se, por um lado, eu fugi dos altos índices de criminalidade e do tumulto dos grandes centros, não consegui fugir de alguns comentários frequentes. Muitos viram a minha volta como um grande retrocesso. As pessoas ainda têm dificuldade de enxergar as potencialidades da cidade pequena e continuam com a mania de achar que o que está lá fora é muito melhor.

Eu gastava quase 14 horas de ônibus e mais de R$400 só para dar um “oi” para a minha família e pegar a estrada de novo. Fora o aluguel, a alimentação, o transporte, a água, a luz e o telefone que deixavam a conta ainda mais salgada. Embora gostasse do que estava fazendo, eu não estava feliz.

Mas, alguns amigos se orgulhavam em dizer que eu estava trabalhando em outra cidade, sem entenderem o que realmente se passava na minha vida “lá fora”. Quando voltei, um amigo me disse que era um desperdício eu voltar; que eu era inteligente e podia ir para outra cidade. Nesse primeiro momento, tentei argumentar – em vão – sobre o quanto a minha volta me fez bem.

Em um segundo momento, o mesmo amigo me bombardeou com perguntas e a mais inusitada: “Você está feliz?”. Nessa hora, curvei a sobrancelha e sem entender exatamente o que ele queria, respondi: “Claro que estou!”. Desde então, comecei a ficar pensativa sobre o que as pessoas enxergam como felicidade.

Recentemente, em um desses encontros da turma de escola, mais uma vez, fui surpreendida por um comentário. O pai de um amigo, ao me cumprimentar, disse com certo ar de deboche: “Aí, estudou, estudou, estudou e está andando a pé.” Eu só consegui sorrir e responder: “A vida é feita de escolhas. Cada um faz a sua.”

O mais estranho é perceber como a sua escolha pode soar como “fracasso” para algumas pessoas. Nunca vi um carro como uma necessidade imediata e, por isso, priorizei outras coisas. Mas há quem acredite que a vida seja um roteiro que precisa ser seguido à risca: estude, se forme, tenha uma casa, um carro, faça muitas viagens, se case, tenha uma linda família e viva como se estivesse comercial de margarina…

E é justamente essa expectativa de uma vida perfeita que faz tanta gente ser infeliz. As pessoas atribuem a palavra “fracasso” a qualquer recuo ou desvio de rota. Acreditam que, para chegar até a felicidade, só existe um caminho. Mas, dificilmente, se preocupam em admirar a vista, parar e descansar. Acham que a vida é uma corrida e ganha quem tem mais. Mas se esquecem que a verdadeira recompensa é a experiência adquirida, os laços criados e a felicidade que sempre alcança quem não tem pressa de chegar.

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Darlene Braga

Darlene Braga

Jornalista, mineira e pisciana. Consegue sorrir e chorar ao mesmo tempo e não esconde os sentimentos de ninguém. Fala sozinha, assiste desenhos animados, escreve crônicas e gosta de gente que ri com os olhos.
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Comments

  1. Lindeza! A felicidade é aquele intervalo entre um obstáculo e aquela crise existencial de se perguntar o que está acontecendo… amei o seu texto! Você é sucesso!

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