Você foi calma quando eu só queria ser pressa – We Love

Você foi calma quando eu só queria ser pressa

Depois de tanta gente pedindo pressa, você pediu calma. E eu pensei que não saberia lidar com a calmaria, com sutilezas, com mensagens fora de hora. Eu nem imaginei que isso fosse pra mim. O cuidado, o querer bem e perto. A saudade no dia seguinte. A vontade de não desgrudar. No peito, o aconchego. Deitada, dá pra sentir a sensação de lar.

E quando diziam que a paixão podia ser calma e leve, eu não acreditava. Mas por você eu até voltei a acreditar em príncipe encantado. Não daqueles dos contos de fadas. De cavalo branco, armadura e espada na mão.

Aquele da vida real mesmo. Que chega de carro. Que ouve rock. Que tem os olhos da cor de mel. Aquele que tem um cheiro familiar, uma mão que te afaga, aquele do beijo doce. Aquele que foi te ganhando aos poucos, tão de repente, que as amigas notaram antes de você. Aquele que o psicólogo disse que podia mudar sua vida. Aquele que você nem sabia que viria.

Não é uma questão de estar necessariamente esperando a chegada, trata-se de estar preparado. De cuidar de si. De se olhar com carinho. De estar na sua melhor fase. De bem com a balança, com o espelho, feliz com a vida. Trata-se do amor próprio sendo cultivado todos os dias. Dos rolês, das rodas de bar, das viagens improvisadas com os amigos. Dos cafés e jantares em família. É uma questão de estar bem com todos e, principalmente, com você.

A paixão assim como o amor chega sem avisar. Nesse caso, chegou de mansinho, a porta estava aberta. Entrou. Mas sem exageros, sem querer encurtar o caminho, sem querer pegar o elevador. Foi degrau por degrau. Apreciando a paisagem. Deixando rastros de flor por onde passava.

Depois de tanta gente pedindo pressa, você pediu calma e me acalmou o peito. Mostrou que passado é importante que nos mostra quem somos hoje, mas que já é tempo de olhar pra frente. Direto. Avante. Tempo de construir um futuro. A dois. Eu que nem lembrava mais dessa sensação, fiquei emocionada por sentir coisas novas. Por me permitir viver coisas novas.

Então, você foi calmaria no meio do furacão. Foi brisa boa soprando do mar no fim de tarde. Foi sol aquecendo a pele no começo da manhã. Você também foi pé no acelerador quando eu fui freio, mas quando eu quis correr, você puxou o freio de mão. Você tinha mesmo razão.

De pensar que tudo começou com um match no Tinder e um rodízio de comida mexicana. Me arrisco em dizer que você me conquistou ali. Com um chocolate em mãos, com aquele olhar que tinha luz, com esse sorriso que eu já chamo de meu. Nem antes, nem depois, você chegou mesmo na hora certa.

Você foi calma quando eu só queria pressa. Você foi roda gigante quando eu queria montanha-russa. Você foi caminho quando eu procurava o arco-íris. E quando eu finalmente cheguei do outro lado, de novo, tinha você.

E quando a gente se acostuma com alguém do nosso lado, a gente muda até o ritmo do passo. Pode ser mais rápido ou mais devagar, desde que eu possa acompanhar você. O tempo é tão relativo que abre espaço para interpretações distintas e divergentes. Pouco ou muito, não sei. Mas desde que você chegou a vida é mais doce. Eu olho pra trás satisfeita com minha trajetória, agradeço ao presente por ter você e peço um futuro pra nós. Mas isso a gente deixa com o amiguinho lá de cima, ele resolve.

Obrigada por essa promessa de estar comigo sem pressa,
e me oferecer calma, bem lá no fundo, entre o peito e a alma.

Regine Luise

Regine Luise

Jornalista por formação, poeta por opção, escritora por inspiração. Conselheira amorosa de boteco, romântica de carteirinha assinada. Escreve para expressar o que pensa, sente e, principalmente, quem é.
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